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Dia Mundial da Saúde Mental: Saiba quando procurar ajuda

Nesta quinta-feira, 10, Dia Mundial da Saúde Mental, a Clínica Maiêutica não poderia deixar de convidar a todos para refletir sobre um tema tão relevante e presente nesta sociedade contemporânea.



**Artigo publicado na revista Men’s Health



A complexidade do nosso cérebro merecer bem mais atenção do que aquela que lhe damos. Temos de cuidar daquela que é a base da saúde.

Nunca se falou tanto em saúde mental como nos dias de hoje, mas estamos perto de acabar com um estigma que está já enraizado na sociedade? Ainda não. Mas a A complexidade do nosso cérebro merecer bem mais atenção do que aquela que lhe damos. Temos de cuidar daquela que é a base da saúde.

Nunca se falou tanto em saúde mental como nos dias de hoje, mas estamos perto de acabar com um ewtigma que está já enraizado na socidade? Ainda não. Mas a MH preparou-se para dar um passo em frente e conversou com o psicólogo Paulo Horta Silva e com o psicoterapeuta Américo Baptista sobre a importância de parar de desvalorizar os sinais que a nossa mente dá.

A constipação mental

“Uma constipação é uma coisa que todos podemos ter, não há estigma algum em ter uma constipação, todos os anos tempos problemas de constipações, mas, agora, a depressão, por exemplo, que é considerada a constipação da saúde mental, que é também uma coisa comum e que todas as pessoas podem ter, está associada um estigma e, na verdade, as pessoas não vão procurar tratamentos para essa constipação da saúde mental” – Américo Baptista, psicoterapeuta e autor do livro O Futuro da Psicoterapia.

A maldição do estigma

Fala-se hoje mais abertamente de depressão e ansiedade, é um facto. Mas fala-se ainda com um estigma associado a estes estados mentais, vistos como sinal de fraqueza. “O estugam está instalado na sociedade”, alerta Américo Baptista. E se há estigma, diz, “há vergonha, pois as outras pessoas veem-me mal e eu próprio vejo-me mal e vamos, cada vez mais, para pior”.

Círculo vicioso: no ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que existem 300 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo, sendo esta doença mental a primeira causa de doenças e deficiências. O tema é sério e grave o suficiente, mas continua envolto uma nuvem que dificulta a procura de ajuda, o diagnóstico e o tratamento.

No que diz respeito ao tratamento, sabe-se que os antidepressivos são vistos como o ‘elixir’ contra a depressão. Em quatro anos, o consumo deste tipo de fármaco duplicou em Portugal, segundo dados recentes do Infarmed. E o que é que isto quer dizer? Que andamos a adormecer uma doença que, por si só, nos adormece à boleia dos seus sintomas muitas vezes mascarados.

“Os problemas psicológicos estão cada vez mais divulgados, sabe-se mais agora do que há 10 ou 20 anos. Mas os tratamentos não estão divulgados. Quando se fala em depressão, por exemplo, fala-se em medicamentos. De facto, os medicamentos melhoram [a qualidade de vida do paciente], mas não resolvem o problema, apenas o adormecem”, salienta Américo Baptista, alertando para o facto de, nestes casos, existir o risco de o problema psicológico se tornar “crónico e recorrente, portanto, [com a toma de fármacos] umas vezes a pessoa vai estar melhor, outras pior, mas sempre doente”.

A fatura é pesada: “Se o estigma existe, é a sociedade que paga as consequências, porque as pessoas que têm depressão estão sempre de baixa e acabam por se reformar demasiado cedo. Ou então vão trabalhar com muita dificuldade, não sendo produtivas como o esperado”, avisa Américo Baptista.

24% a 25% Das pessoas têm ao longo da vida uma perturbação mental. Uma em cada quatro poderá sofrer de ansiedade e uma em cada cinco de depressão.

As consequências da negação (e que podem ser fatais)

‘Estou bem’, ‘isto é passageiro’, ‘foi apenas um mau dia’. O estado de negação – ou a vergonha de assumir que precisa de apoio psicológico – é um dos maiores entraves à boa saúde mental.

Atualmente, “existe ainda um grande número de pessoas que tendem a desvalorizar a saúde mental na presença de sintomas de tristeza, ansiedade ou depressão, identificando-os como sendo passageiros, pois acham possuir os recursos internos e externos suficientes para lidar com as dificuldades, nomeadamente uma rede alargada de apoio familiar ou de amizades, porém não é a mesma coisa”, explica à Men’s Health o psicólogo Paulo Horta Silva, salientando que, no entanto, “num estado mais avançado dos sintomas e sinais negativos”, pode existir “sempre um momento em que a ajuda profissional é necessária e passa a ser uma prioridade, pois, em muitos casos, a dificuldade em lidar com problemas associados às doenças de risco, nomeadamente mentais, traduzem-se também em doenças físicas ou psicossomáticas”.

Caso não exista uma intervenção profissional atempada, continua o especialista, “as consequências ao nível da saúde física e mental são graves, podendo haver o desenvolvimento de uma psicose ou outras perturbações da personalidade, neste caso existem várias variantes. É necessário ter em conta que na maioria dos casos os problemas psicológicos se manifestam de forma gradual e silenciosa, ao ponto de a pessoa não assumir que tem um problema para resolver, sendo, muitas vezes, o companheiro/a ou amigos a darem o primeiro sinal de alerta ao sujeito afetado, muitas das vezes encontrando-se este já afastado das suas responsabilidades e meio social por incapacidade em gerir as emoções e a vida em geral”.

Mas as consequências da negação podem ir além do abalo físico e mental. Em último caso, e com o agravamento das situações, alerta Américo Baptista, a pessoa fica muito deprimida e tenta o suicídio. “Na maior parte das vezes, [as tentativas] são efetivas. As tentativas de suicídio por parte dos homens acabam por ser mais letais, acabam por não ser tentativas, são suicídios efetivos. Os suicídios aumentam com a idade e são mais frequentes nos homens do que nas mulheres, embora sejam elas quem mais dão azo a tentativas. Há mais ansiedade e depressão nas mulheres, mas as consequências fatais são mais graves nos homens do que nas mulheres”.

A saúde mental como centro de debate não é uma novidade, mas a frequência com que é tema de conversa e discussão vem muito à boleia de revelações recentes de celebridades que dão a cara por patologias mentais como a depressão e a ansiedade. Dan Reynolds, vocalista da banda Imagine Dragons, a cantora Selena Gomez e a modelo Cara Delevigne são apenas três exemplos de pessoas profissionalmente bem-sucedidas que falam abertamente do seu estado mental, revelando uma longa luta contra a depressão e a ansiedade.

Mas se estas três celebridades alertam para a importância dos cuidados mentais, outras perderam uma batalha que é silenciosa, ingrata e morosa. É o caso do ator Robin Williams, do designer Alexander McQueen e, mais recentemente, de Anthony Bourdain.

Com ou sem uma patologia associada, há mais pessoas a procurar apoio psicológico para se sentirem bem consigo mesmas, para lidar com o stress diário ou simplesmente para ultrapassar de forma mais eficaz uma mudança no rumo da sua vida. O rapper Jay-Z, por exemplo, revelou em entrevista ao The New York Times que é acompanhado há anos por um psicólogo e que isso é uma “tremenda vantagem”.

Eles Vs Elas

Segundo Américo Baptista, enquanto uma mulher que está muito deprimida “chora e diz que está triste”, os homens “queixam-se mais de sintomas somáticos”, como dores de costas, de cabeça, de barriga. “Antigamente chamávamos a isso depressões mascaradas, as pessoas queixavam-se apenas de sintomas somáticos, físicos”.

“Elas dão mais ênfase aos sintomas emocionais, mas isso tem que ver com a nossa cultura, a mulher tem mais facilidade em se queixar destes sintomas emocionais do que os homens, eles queixam-se mais do ponto de vista físico”.








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