Maiêutica Divide com você

| Série Maternidade |

Desde a gravidez, a relação entre a mãe e o bebê é muito intensa. Essa interação estabelece o vínculo entre eles e é essencial para o desenvolvimento emocional, físico, cognitivo e social da criança. Entretanto, ao contrário do que muitos dizem, a formação do vínculo não é automática e instintiva, mas processual e depende das condições sociais, físicas e psicológicas da mãe, bem como de sua rede de apoio.

Durante a gestação, o vínculo já começa a ser construído, pois existe uma íntima comunicação corporal entre eles, levando os pais a projetarem sentimentos e expectativas quanto ao sexo, comportamentos e características temperamentais do bebê. Por isso, sentir, imaginar e pensar sobre ele interfere na construção da representação que o filho e a maternidade terão, bem como do tipo de relação que se estabelecerá.

Os três primeiros meses após o parto marcam um período significativamente importante para a consolidação desse vínculo, determinando a qualidade dessa ligação afetiva. Com isso, a mãe estará sensível para identificar e suprir de modo adequado às necessidades da criança. A sensibilidade e a qualidade dessa interação contribuirão para que a criança se sinta confiante e segura e possa assim se desenvolver plenamente.

Essa relação se caracteriza pela reciprocidade entre eles. A mãe cuida do bebê como forma de garantir sua sobrevivência e esses estímulos são recebidos pelo filho que se gratifica com eles e responde a mãe. Por exemplo, o bebê chora porque está com fome, a mãe oferece o alimento e o bebê se acalma e isso deixa a mãe satisfeita. Dessa maneira, se estabelece um ciclo de reciprocidade, e, é através desse processo contínuo de interações entre eles, que o vínculo se constrói e se fortalece.

Entretanto, o vínculo pode ser prejudicado caso haja muitas idealizações, como, por exemplo, achar que já deveria conhecer o filho por completo logo nos primeiros dias, gerando na mãe sentimentos negativos ao se perceber estranhando o bebê ou se punindo, caso tenha dúvidas do que fazer. É importante lembrar que aos poucos irá conhecê-lo melhor, descobrindo como ele funciona, do que gosta e do que não gosta.

Nos cuidados diários, a mamãe observadora e cuidadosa tem a oportunidade de transmitir afeto e fortalecer essa relação. Por meio da diversão, brincadeira, dos olhos nos olhos, do cheiro, do toque e das conversas que esses momentos possibilitam. Dessa forma, a conexão entre a mãe e o bebê acontece não somente pelo contato físico e pelo fato de estarem bastante tempo juntos, mas sim pela disponibilidade interna da mamãe.

Como vimos, essa interação entre a mãe e o bebê é muito importante e delicada. Em alguns casos, a mãe não tem condições físicas, sociais, culturais e psíquicas para cuidar dessa relação. Dessa forma, é de extrema importância que receba o apoio e a ajuda de familiares, amigos, grupos de mães e profissionais, para conseguir lidar com as demandas desse momento.

Muitas mães também não conseguem se conectar aos filhos, pois estão sobrecarregadas de tarefas e funções, vale lembrar, inclusive, da entrada de objetos que contribuem para esse distanciamento, como as tecnologias, por exemplo. Caso o vínculo afetivo não seja estabelecido, haverá consequências no desenvolvimento da criança, que passará a apresentar alguns sintomas, ficando toda a relação prejudicada.

Provavelmente, isto nos indica que a mãe esteja em sofrimento e com dificuldades nessa interação. E portanto, precisa ser olhada e cuidada para conseguir cuidar e olhar para esse vínculo tão importante entre ela e a criança. Afinal de contas é um momento de grandes transformações, marcado pelo acréscimo de papéis, mudanças na rotina diária, renúncias, preocupações, atenção quase que plena às necessidades do bebê, entre outros. Sendo que tudo isso reflete diretamente na qualidade desse vínculo.  

Caroline Felipe
Flávia Moreno Psicóloga Clínica Maiêutica

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